Por João Carlos Barreto
Podemos perceber que o programa Mais Médicos tem recebido
críticas de alguns dos médicos brasileiros e de um segmento da sociedade que
não utiliza o SUS para tratar de seus problemas de saúde. Por outro lado quem
precisa utilizar os Postos de Saúde nas capitais e principalmente no interior
do país, tem nos médicos estrangeiros a mão de socorro para seus sofrimentos.
Eles vão aonde boa parte dos médicos nacionais não quer chegar, ganham salários
bem menores e mesmo assim atendem o paciente com muita dedicação.
Já gostava do Mais Médicos e passei a admirar ainda mais ao
conhecer o trabalho de dois cubanos que atendem no distante município de
Cavalcante GO, no Nordeste goiano, na fronteira com o Tocantins. São eles os
médicos Liban Curbelo e José Miguel Guerra Perez, profissionais competentes e
dedicados que não me conheciam como jornalista.
Liban e Miguel foram contatados pela Caravana Ecológica na
sexta-feira de Carnaval para um trabalho
voluntário na comunidade Kalunga do vão Salinas, na escola Congonhas. Imediatamente
aceitaram participar, interrompendo o laser do feriado e voluntariamente foram
e atenderam a mais de cem pessoas que há muito tempo não recebiam a visita de
um médico na região.
Gente sofrida, eles gostaram do atendimento, encaminhamentos
e das orientações médicas que receberam e também alguns medicamentos básicos
foram prescritos. Naquele momento os médicos fizeram a diferença na vida
daquelas pessoas humildes.
Enquanto alguns médicos nacionais se negam a deixar o
conforto, os dois cubanos voluntariamente encararam uma viagem de quatro horas
em estrada sem asfalto, não desfrutaram dos benefícios da energia elétrica, dormiram
em barracas, comeram o que tinha para ser servido e como todos os demais tomaram
banho em chuveiro improvisado em cano. Tudo sem murmurar, viveram dois dias
como os demais daquela região.
Conversando com Liban ele informou que a medicina cubana se
baseia em três pilares: “O físico, quando se examina o paciente, olhos,
ouvidos, garganta e outros pontos de sintoma tocando na pessoa. O psicológico,
conversando com o paciente deixando-o descontraído para numa conversa franca
saber o que acontece. O social, interagir na comunidade, participando das atividades
sociais e dando orientações médicas quando solicitados”. Isso nos remete a um
assado distante quando existia no Brasil o médico da família, o clinico geral
que acompanhava de perto a evolução das pessoas, muitas do nascimento até a
fase adulta.
Acho que essa é a grande diferença dos médicos cubanos: Um
atendimento mais pessoal e humanitário. Indo onde quer que seja necessária a
presença de um médico.
Por outro lado é entristecedor saber que além dessas
diferenças no atendimento aos pacientes, os salários também são diferentes. Os
médicos cubanos recebem bem menos que os nacionais. Por isso, fica aqui minha
sugestão para os prefeitos que gostam do povo, principalmente aqueles menos
favorecidos que moram nas zonas rurais: Em nome do povo sofrido, melhorem as
condições de estadia desses médicos estrangeiros, os remunerem com
gratificações extras, melhorem as condições de trabalho e medicamento, etc. Com
certeza a gratidão da população vão refletir nas futuras eleições.
João Carlos Barreto - Jornalista – Editor da
Ag. Goiás em Notícias.com
Veja as fotos:
Eles também dormiram em barracasAs enfermeiras Racy e Betinha ajudaram no atendimento
Descontração a noite com jogo de dominó: O motorista Dumbim, Dr. Liban, Dr. Miguel e o sec. Rosemberg.
Dr. Miguel atendendo uma senhora kalunga.
Equipe médica e de educação que se dispôs ao trabalho de ajudar ao próximo no carnaval 2014.
Jornalista João Carlos Barreto e Dr. Liban
Dr Liban e Dr. Miguel atendendo
Alguns medicamentos para entrega aos pacientes com doenças mais comuns, casos complexos tiveram encaminhamentos.
Pacientes kalungas um bom tempo sem receber a visita de médicos.

