Participante da vivência se sujeita ao ritual da arranhadura, típico das culturas xinguanas. Consiste em arranhar a pele com um instrumento feito com um pedaço de cabaça e vários dentes bem pontiagudos do peixe cachorra, formando uma fileira de aproximadamente 15 dentes, dependendo do tamanho da arranhadeira. O ritual tem diversas funções, vale ressaltar duas: fazer a sangria, o sangue derramado é velho e precisa ser jogado fora, havendo um processo de purificação. Os homens precisam passar com mais frequência pelo ritual, já que seus corpos não passam pelo processo de sangria através da menstruação; preparar o guerreiro e a guerreira para a Huka-huka, arte marcial típica dos xinguanos.
A ação é tripla: primeiro são feitos os arranhões no corpo inteiro e o sangue é lavado, logo após aplica-se um extrato feito de várias ervas medicinais, que juntas, têm um efeito anabolizante nos músculos, por isso é comum que tenham músculos bem torneados e por final é passado óleo de pequi nos arranhões, que tira um pouco da dor e dá um cheiro agradável.
No caso dos participantes do curso-vivência que quiseram passar pelo ritual, não foi usado o extrato de ervas com ação anabolizante, é um composto muito forte e o corpo precisa de adaptação. Foi usado outro tipo de extrato, que não arde como o mais forte, mas ainda provoca muita dor quando aplicado. Passadas algumas horas o corpo experimenta uma sensação de relaxamento. Segundo os Yawalapíti, esse segundo extrato tira o cansaço da pessoa. O banho só é recomendado no dia seguinte.
Fonte: Delcio Gonçalves/Lapa Yawalapiti - Foto Delcio Gonçalves (Facebook)
19 de fev. de 2014
|
|
|


