Estamos às vésperas de uma copa do mundo e aconteceu uma grave falha na segurança do aeroporto de Congonhas (Campinas SP). O acontecimento poderia ter posto em risco as dezenas de passageiros que viajavam de Campinas para o Rio (Aeroporto Santos Dumont).
O voo foi o 4456 da Azul que saiu às 21h22 do dia 28 de dezembro. Os primeiros 15 minutos foram de turbulência,pois chovia durante a subida, mas isso acontece com tempo ruim.
No avião ocupei a poltrona 28 A que ficava na janela. Na poltrona do lado um garoto com seus três anos, a sua família estava no outro corredor. Na frente, no corredor , um rapaz com seus aproximadamente 25 anos e ao lado dele, na janela – na minha frente- uma poltrona vazia.
De repente, um homem dos seus 30 anos, cor parda, cabelos crespos, trajando uma camiseta cinza escura estampada e shorts azul claro, veio da parte dianteira da aeronave e sentou ao lado do rapaz, bem na poltrona vazia na minha frente.
Até aí tudo em, mas o cara fedia muito, e começou a cuspir no chão. Os comissários passaram perguntando o que ele queria. O homem pediu “café com leite, pão e manteiga”. Como não tinha, aceitou uma coca-cola. Voltou a cuspir no chão, esfregava freneticamente a cabeça com as mãos, parou por um tempo e de repente começou a urrar como um bicho. Foi a gota d’água, o rapaz saiu do lugar e foi sentar-se lá na frente.
O camarada visivelmente transtornado começou a olhar em volta as mulheres e as crianças. Na fresta entre os bancos olhava para o menino ao meu lado. De tempos em tempos, cuspia no chão, agitava os cabelos e urrava. Depois olhava em volta, mas quando virava eu o encarava com seriedade e ele se recompunha no lugar. Isso durou algum tempo, as pessoas próximas que perceberam estavam incomodadas, mas os comissários ou não perceberam ou ignoraram o problema, até para não piorar as coisas. No desembarque, do jeito que ele apareceu, desapareceu no meio das pessoas, desceu rápido, sem bagagem.
O rapaz que saiu do lugar, depois, contou que no short ele tinha sacos plásticos com o que parecia ser drogas. Tanto que quando ele pegou alguma coisa no short e colocou na coca-cola ele saiu de perto.
O que todos questionavam era como foi que uma pessoa drogada, visivelmente transtornada, mal cheirosa entra num voo sem ser barrada, para se recompor e seguir viagem?
Para entrar passamos por raios X, detectores de metais, mostramos as passagens e documentos com fotos por, pelo menos, duas portarias e o cara nessas condições embarcou no voo. E se ele tivesse surtado? Atacado alguma mulher ou criança?
Pode ser que ele não tenha passado pelas barreiras da PF da ANAC e da companhia aérea, poderia ter entrado na pista de embarque por outra passagem no aeroporto ou ao redor da pista. O que seria bem pior, pois poderia estar armado, ou pior ainda alguém com explosivos que poderia causar uma grande tragédia.
Essa foi, para muitos passageiros, uma falha perigosa para um país que vai sediar uma copa e uma olimpíada. Qualquer pessoa mal intencionada pode embarcar num voo em Viracopos e atingir seu destino ou cometer um desatino na viagem.
29 de dez. de 2013
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