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Sickos sos saúde entenda porque o SUS corre risco de acabar.

17 de jun. de 2011

Artigo : Vídeo violento mostra que a vida não tinha menor valor em Serra Pelada (PA)

No momento em que se quer descortinar a nossa história apresentando ao público os bastidores do poder e da política no Brasil, vemos que muita coisa precisa chegar até a opinião pública geral, não com punição legal, até porque os crimes na maioria já prescreveram, mas para não deixar passar em branco, no esquecimento, atitudes danosas e mesmo criminosa que hoje estão impunes. Cada um deve responder por seus atos, se não criminalmente, historicamente. Para que os mesmos não se repitam no presente ou no futuro.
Assisti recentemente no Doc TV um vídeo sobre o garimpo de Serra Pelada, uma cena rápida quase imperceptível no meio de tantas outras que passaram ficou gravada na minha memória: Um soldado que não se sabe se PM ou Militar, no meio do buraco do garimpo, rodeado de garimpeiros simplesmente atira com seu fuzil. Um garimpeiro que está a metros de distancia e que não participava diretamente do acontecimento recebe o balaço na cabeça e cai morto.
Nada acontece, uns garimpeiros olham para os outros e o corpo caído, insignificante, como de um bicho morto, se é que é insignificante alguma morte. Sem grande importância. Parece meio abandonado, como abandonada era a vida daquelas pessoas em relação ao resto do mundo.
O policial que atira fica impassível e bem tranqüilo, age como se nada tivesse acontecido. Como se ele não fosse o responsável por tirar uma vida indefesa, inocente realmente, tão inocente que não teve tempo nem de saber o que lhe aconteceu. Sua única culpa foi a ganância de querer o ouro, a riqueza maldita de muitos garimpos.
Não sabemos muito daquela cena, quem foi o homem que morreu? Quem foi o militar despreparado que atirou inconseqüentemente e que não deve ter respondido pelo seu crime? Será que a família do garimpeiro assassinado soube do que houve? Ou ele foi apenas mais uma cova rasa num provável cemitério clandestino no chão do Pará?
Possivelmente a família do garimpeiro está por aí com fotos nas mãos e na esperança de encontrá-lo, achando que ele possa estar vivo em algum lugar. Sofrendo sem saber o seu paradeiro. Assim como tantas outras com seus cartazes e fotos surradas pelo tempo. O militar deve carregar na memória o tormento do que causou, isso se ainda estiver vivo.     
O vídeo é o fragmento de tantas histórias desconhecidas e forçadamente escondidas. Esses são segundos de uma história dramática, anônima, das muitas que provavelmente ainda existem, poucos conhecem e os governos querem sepultar no “sigilo eterno”.
Por João Carlos Barreto
Editor Geral: Goiás em Notícias