Ontem assisti os primeiros filmes em 3D numa televisão e dei
conta em retrospectiva do que já consegui ver e vivenciar. Hoje percebo
nitidamente o quanto as tecnologias têm avançado. Coisas que eram ficção hoje
fazem parte do cotidiano, até aí tudo normal, mas o que me dou conta é que o
tempo vai passando como na janela de um trem. Muita gente fala “trem”, vê um
trem, mas poucos que leem isso viajaram em um trem, sabem do prazer de viajar
de trem.
Na minha infância o rádio era a grande mídia, tudo passava
pelas ondas das emissoras cariocas, muita música e informação. Lembro do meu
pai no nosso quarto a noite com um enorme rádio valvulado, procurando emissoras
estrangeiras nas Ondas Curtas. Um dia ouvimos os Beatles ao vivo em Londres.
Também ouvi pelo a chegada do homem a lua. Não víamos, mas a nossa imaginação
enxergava cada palavra narrada.
Veio a TV, uma enorme caixa de madeira com um tudo onde podíamos
ver tudo que acontecia. O rádio era mais dinâmico, rápido, “O Globo no ar!”. Ouvíamos
no rádio e depois víamos na TV. Tudo em preto e branco, as cores também estavam
na nossa mente.
Depois surgiu a TV em Cores, caixas de madeira maiores
ainda, verdadeiros móveis no meio da sala. Não tínhamos a TV colorida e quando
soube que existia fiquei me indagando: Como pintar as cores na TV? Era uma
resposta confusa. Até que num determinado dia um vizinho dono da Mion Auto
Peças comprou uma e convidou as crianças da vizinhança para conhecer. Foi um
dia especial. Um espetáculo para todos nós.
O forte da época, em cores ainda era o cinema. Bem mais
barato do que se cobra hoje, as salas de projeção carioca lotavam aos finais de
semana. Foi a mídia forte da época.
A TV em cores se popularizou e embora não seja uma novidade tão
recente para o cinema apareceu nas telas o Cinema 3D. Eu já tinha visto numa daquelas telas de
cinema 360º numa feira no Pavilhão de São Cristóvão. Eles concorriam com o
sucesso da mulher que virava a “Macaca Monka” que depois de transformada saía
da jaula para amedrontar a platéia. Não era em 3D, mas os efeitos dos espelhos
davam o mesmo efeito o que fazia a situação amedrontadora.
No cinema em 3D vi algumas produções espetaculares. E até
alguns trailers de filmes que nunca veria, mas que no cinema causavam um efeito
fantástico. Com a tecnologia a produção dos filmes em 3D ficou mais fácil e
rápida, porém os preços na bilheteria ainda são proibitivos para muitos
brasileiros. Alguns que como eu há décadas atrás somente tem acesso ao velho e
bom rádio. Embora as programações de hoje não cheguem aos pés do que ouvíamos
naquela época.
Hoje, como se estivesse vivendo na época da “Família Jetsons” ao
contrário dos “Flintstone”, estava num sofá, na comodidade de uma casa assistindo
um filme em 3D com qualidade digital. Parece um teatro, melhor que isso, pois
estamos bem próximo do cenário e das ações. Objetos que voam da tela e para a
tela, um realismo impressionante.