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Sickos sos saúde entenda porque o SUS corre risco de acabar.

7 de nov. de 2014

No interior de Goiás pessoas vivem como no século XVII

O lugar é de difícil acesso, as casas são de adobe com telas de palha, não tem energia, água tratada e encanada, não tem esgoto, não tem telefonia, não tem posto de saúde, quase nada de benefícios do século XXI. Assim vive os calungas do Vão do Moleque em Cavalcante, Goiás.

 A viagem é longa entre Goiânia e o município histórico de Cavalcante GO, são 512 km de rodovia até Cavalcante, passando por dentro de Brasília, depois 160 km em estrada acidentada até a comunidade quilombola do Vão do Moleque, as margens do rio Paranã. São aproximadamente 11 horas de viagem, de Goiânia até aquela comunidade.
O Goiás em Notícias (GN) acompanhou o trabalho desenvolvido pela Caravana Ecológica, uma entidade de cunho ambiental que realiza viagens de assistência com apoio do governo municipal de Cavalcante. Nas viagens que podem acontecer uma ou duas vezes por ano, o responsável pela excursão é o educador e ambientalista, David Araújo, que através da AGABRA (Associação dos Gestores Ambientais do Brasil ) leva estudantes em gestão ambiental para conhecer a realidade e lugares  ainda poupados pelo homem, com rios  e riachos límpidos, cerrado preservado, pássaros, etc. Além da visita de estudos, a Caravana Ecológica leva para os moradores alguns donativos e principalmente médicos e enfermeiros para consultar os calungas. Outro ponto importante são as palestras de conscientização sobre ecologia, preservação, ações ambientais e prevenções de doenças. Para as crianças brinquedos e brincadeiras.
O trabalho é tão bem recebido que com a chegada da Caravana as 200 famílias, aproximadamente, se dirigem para a única construção de alvenaria da região: a Escola Municipal Congonhas.
A última viagem aconteceu durante o Carnaval, dia 02 de março de 2014. Com total apoio da Secretaria de Saúde e Educação municipal, do atual vereador Rosemberg Dias (antes secretário de Educação) e com a dedicação dos médicos cubanos (do Programa “Mais Médicos”), Liban Curbelo e José Miguel Guerra Perez, e também as enfermeiras Racy e Betinha, além das professoras coordenadoras Gesselia e Josenite que abdicaram da folga de carnaval para consultar mais de 400 pessoas em dois dias que estiveram junto com a Caravana Ecológica. Os pacientes com sintomas mais complexos foram indicados para procurá-los na unidade do Programa Saúde da Família na cidade.
O diferencial daquela região está na educação. A Escola Municipal Congonhas é a única construção de alvenaria. Com toda a instalação pronta para receber água encanada e energia. Os alunos, na sua maioria, diariamente chegam a pé ou de bicicleta. Aliás, bicicleta é um dos pedidos comuns para os adolescentes. “Queria ganhar uma bicicleta para ir à escola”, confidenciou um deles.
 A Comunidade Calunga do Vão do Moleque não desfruta dos mesmos benefícios de outras comunidades calungas mais próximas da cidade.  Eles não têm quase nenhum benefício governamental ou tecnológico, apenas uns dois veículos, sendo quase uma dezena de motos.  O aceso até a cidade é feito mesmo através de um caminhão antigo, mas com potência suficiente para fazer o trajeto com sol ou chuva, levando mantimentos e pessoas uma vez por semana. Fora isso, muitos ainda fazem o percurso de 160 km a pé, com uma parada no meio do caminho para pernoitar na beira de um riacho com água potável e cristalina. No dia seguinte a caminhada prossegue durante todo o dia para chegar à cidade. A maioria vai mesmo de carona ou aguarda a passagem semanal do caminhão.
Apesar da vida no estilo do século XVII, os calungas parecem que vivem relativamente bem, o maior problema é a falta de atendimento médico mais constante e o maior desejo é de ter a energia. Para suprir a falta de médicos, o morador e raizeiro Simão Francisco Dias, da o primeiro atendimento e até alguns tratamentos naturais. Quando a situação é grave, eles tentam um transporte até a cidade.
Quem está acostumado aos confortos da cidade vai estranhar muito o modo de vida daqueles Calungas ( descendentes de escravos) que vivem naturalmente nos moldes dos antigos quilombos.

 João Carlos Barreto
Ag. Goiás em Notícias.