Eu, como mulher do interior com profunda ligação com as mulheres simples do cerrado, descrevo sua luta, sua força de vida e acima de tudo a alegria que faz com que essa mulher roceira trabalhe cantando e criando versos.
Virgilina, a incansável senhora de Parauna, até ficou conhecida como a guardiã da Serra da Portaria e viveu até os últimos anos de sua vida no sítio e mesmo sozinha labutou até o fim, caminhando dezenas de quilometros todos os dias.
Virgilina se foi mas deixou o exemplo de uma mulher sábia e guerreira.
Nessa data vamos lembrar todas as grandes guerreiras do Brasil campo: a fiandeira, a tecedeira, a parteira, a cozinheira, a mãe, a vaqueira e acima de tudo a mulher que ainda vive sem o auxilio da tecnologia e com muita destreza desempenha suas tarefas, que para uma mulher citadina seria impossivel a dureza que a mulher do campo considera uma terapia.
Lembramos a grande mulher Cylene Dantas que teve a sensibilidade de marcar o dia 15 de outubro como o "Dia da Mulher do Campo"
que essa data a cada ano seja comemorada elevando o trabalho da dona de casa da fazenda, daquela mulher que pariu muitos filhos com o auxilio da parteira, que plantou, colheu, descaroçou, cardou, fiou e ainda teceu as roupas dos filhos e do marido.
Daquela mulher que colhe, torra e faz o gostoso cafezinho no fogão à lenha. Lembramos ainda a mulher que levanta na madrugada para ainda ajudar a tirar o leite das vacas. E assim tantas outras espalhadas pelos campos do mundo.
O Memorial Serra da Mesa nesse dia abre as portas para todas as mulheres , se mostrando como o local que acolhe todas as manifestações culturais oriundas do trabalho no campo.
Essa mulher ainda existe no Brasil, aqui falo dela com orgulho e cito como exemplo uma história de uma delas, mãe dos filhos Agostercina, Agostervina, Agustin e muitos outros de nomes parecidos, a Dona Ana Araujo de Uruaçu (in memorian):
Dona Ana grávida seu décimo primeiro filho, depois da lida dura da fazenda deitou sentindo as dores do parto. O marido acabava de chegar de uma viagem carreando milho no carro de boi. Muito cansado ele dormiu cedo e nem ouviu os gemidos dela.
Altas horas da noite e as dores apertaram, dona Ana levanta e no fundo da casa nasce o bebê robusto de três quilos e meio.
Ela sozinha arruma tudo e depois embrulha o bebê e espera o dia clarear para mostrar ao marido seu mais novo filho.
Perguntei-lhe porque não chamara o companheiro para ajudar a fazer o parto, sorridente ela responde:
-Sabe siá, eu num pudia acorda ele , tava muito cansado e tinha que sai bem cedo pra carrear...
Engasgo com a resposta , não há o que dizer: dona Ana mostra com simplicidade a extrema força de mulher, da mulher da roça...
Parabéns a todas as mulheres do campo!
Fonte: Sinvaline Pinheiro – Site Overmundo.


