> jcbnews: O dia da Mulher do Campo

JCBNews Documento

Sickos sos saúde entenda porque o SUS corre risco de acabar.

16 de out. de 2014

O dia da Mulher do Campo


O dia da mulher do campo existe, porém não consta no calendário brasileiro em sua maioria. Esse dia foi estabelecido em 2003 na cidade de Tupaciguara, Minas Gerais, e o 15 de Outubro foi institucionalizado como o dia da mulher do campo.A gestora operacional do Instituto Serrano Neves, Cylene Gama uma grande defensora do meio ambiente e dos direitos da mulher, em parceria com vários órgãos criou o cartaz com foto de Sinvaline Pinheiro e Virgilina como símbolo de todas as mulheres que labutam na roça.
Eu, como mulher do interior com profunda ligação com as mulheres simples do cerrado, descrevo sua luta, sua força de vida e acima de tudo a alegria que faz com que essa mulher roceira trabalhe cantando e criando versos.
Virgilina, a incansável senhora de Parauna, até ficou conhecida como a guardiã da Serra da Portaria e viveu até os últimos anos de sua vida no sítio e mesmo sozinha labutou até o fim, caminhando dezenas de quilometros todos os dias.
Virgilina se foi mas deixou o exemplo de uma mulher sábia e guerreira.
Nessa data vamos lembrar todas as grandes guerreiras do Brasil campo: a fiandeira, a tecedeira, a parteira, a cozinheira, a mãe, a vaqueira e acima de tudo a mulher que ainda vive sem o auxilio da tecnologia e com muita destreza desempenha suas tarefas, que para uma mulher citadina seria impossivel a dureza que a mulher do campo considera uma terapia.
Lembramos a grande mulher Cylene Dantas que teve a sensibilidade de marcar o dia 15 de outubro como o "Dia da Mulher do Campo"
que essa data a cada ano seja comemorada elevando o trabalho da dona de casa da fazenda, daquela mulher que pariu muitos filhos com o auxilio da parteira, que plantou, colheu, descaroçou, cardou, fiou e ainda teceu as roupas dos filhos e do marido.
Daquela mulher que colhe, torra e faz o gostoso cafezinho no fogão à lenha. Lembramos ainda a mulher que levanta na madrugada para ainda ajudar a tirar o leite das vacas. E assim tantas outras espalhadas pelos campos do mundo.
O Memorial Serra da Mesa nesse dia abre as portas para todas as mulheres , se mostrando como o local que acolhe todas as manifestações culturais oriundas do trabalho no campo.
Essa mulher ainda existe no Brasil, aqui falo dela com orgulho e cito como exemplo uma história de uma delas, mãe dos filhos Agostercina, Agostervina, Agustin e muitos outros de nomes parecidos, a Dona Ana Araujo de Uruaçu (in memorian):
Dona Ana grávida seu décimo primeiro filho, depois da lida dura da fazenda deitou sentindo as dores do parto. O marido acabava de chegar de uma viagem carreando milho no carro de boi. Muito cansado ele dormiu cedo e nem ouviu os gemidos dela.
Altas horas da noite e as dores apertaram, dona Ana levanta e no fundo da casa nasce o bebê robusto de três quilos e meio.
Ela sozinha arruma tudo e depois embrulha o bebê e espera o dia clarear para mostrar ao marido seu mais novo filho.
Perguntei-lhe porque não chamara o companheiro para ajudar a fazer o parto, sorridente ela responde:
-Sabe siá, eu num pudia acorda ele , tava muito cansado e tinha que sai bem cedo pra carrear...
Engasgo com a resposta , não há o que dizer: dona Ana mostra com simplicidade a extrema força de mulher, da mulher da roça...

Parabéns a todas as mulheres do campo!

Fonte: Sinvaline Pinheiro – Site Overmundo.